Ciclistas participam de Mesa Redonda sobre Mobilidade Urbana no TRT 8º Região

Os ciclistas Cid Camijo e Murilo Rodrigues participaram, na última sexta-feira (25), da mesa redonda sobre Mobilidade Urbana – A bicicleta e os acidentes de trabalho, durante o evento Reforma Trabalhista, Precarização e Riscos de Acidente de Trabalho, promovido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT).

Na oportunidade, os ciclistas destacaram a importância da bicicleta para a cidade, para a saúde, para a qualidade e para a mobilidade urbana.

Para conferir a entrevista concedida após o evento clique AQUI.

Seminário debate os desafios da Mobilidade na RMB

Os cicloativistas Murilo Rodrigues e Melissa Noguchi participaram,  na última sexta-feira (18), de uma mesa redonda sobre o uso da bicicleta nas cidades. A mesa fez parte do seminário DESAFIOS DA MOBILIDADE URBANA NA REGIÃO METROPOLITANA DE BELÉM, promovido pela Universidade Federal do Pará (UFPA). A mesa foi iniciada com uma excelente apresentação de Maurício Villar, do Tembici, seguida do debate pela mesa.

Para conferir o debate da mesa cliquei AQUI.

Ciclistas perdem espaço para transitar na BR-316, em Ananindeua. Acostamento foi substituído por pista de rolamento

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Fotos: Manu Athayde e Netto Dugon

Que a bicicleta é um dos principais meios de transporte de centenas de trabalhadores que cruzam a Região Metropolitana de Belém (RMB) diariamente todo mundo sabe. A BR-316 carece de estrutura adequada para atender essa demanda existente e os órgãos responsáveis por garantir o mínimo à população ignoram esse cenário.  Em 2016, segundo o Departamento de Trânsito do Pará (Detran) ocorreram 7 mortes e 405 pessoas ficaram feridas em acidentes envolvendo ciclistas na RMB. Além de não contar com ciclovias, ciclofaixas ou o respeito dos motoristas que transitam pela BR, agora os condutores do transporte ativo também perderam um dos espaços mais utilizados e que lhes dava o mínimo de segurança para pedalar, o acostamento. Mesmo com as crateras, as vans, ônibus e carros invadindo constantemente e sem a devida fiscalização, o acostamento do lado direito da pista era por onde os ciclistas transitavam.

Desde junho o acostamento da BR que ia do viaduto do Coqueiro até o Conjunto Júlia Seffer foi substituído por pista de rolamento.  O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) destaca que, na falta de via especifica para pedestres e ciclistas em uma rodovia, o acostamento da mesma fica destinado à circulação destes, além da parada de carros em casos de emergência. O CTB também restringe a circulação de ciclistas nas rodovias que possuem acostamento. E no caso da ausência do mesmo, o uso não é permitido, ou seja, o ciclista não tem nem por onde transitar.

A ciclista Manu Athayde, que usa a bicicleta para se deslocar de casa ao trabalho pela via reclama da iniciativa de retirada do espaço. “Os ciclistas foram excluídos na cara dura, porque o acostamento sempre existiu e agora não existe mais. E para piorar a situação, estão desligando os semáforos e radares de controle de velocidade, de sexta até segunda. Ou seja, é preciso escolher entre trafegar na via com veículos motorizados passando a centímetros do ciclista – apesar de terem a obrigação de passar a 1,5 metro de distância – em altíssimas velocidades ou pelas calçadas cheias de buracos, entulhos e obstáculos”.

Vale lembrar que o CTB pontua, no art. 21, que os órgãos de trânsito têm obrigação de garantir a segurança de ciclistas. Compete aos órgãos e entidades executivos rodoviários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, no âmbito de sua circunscrição planejar, projetar, regulamentar e operar o trânsito de veículos de pedestres e de animais, e promover o desenvolvimento da circulação e segurança de ciclistas.

Entramos em contato com a Superintendência Regional do DNIT do Pará via telefone e e-mail no dia 6 de julho para saber mais informações, mas até a publicação da matéria, não obtivemos retorno. A Prefeitura de Ananindeua informou que a BR, do Km 0 até Benevides está cedida ao Governo do Estado para as obras do BRT. A assessoria da Secretaria de Estado de Transporte (Setran) informou que realizou a obra a partir de uma solicitação da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

A PRF, por meio do policial Emerson Castro, justificou a solicitação da obra em decorrência da demanda de veículos que transitam pela via. “Infelizmente a estrutura da via é complexa. Deveria ter ciclovia, ciclofaixa, passarela. Cerca de 90% das pessoas que utilizam são veículos, não são ciclistas e nem pedestres, então tem que priorizar uma coisa em detrimento a outra”. Segundo o policial, ainda que não haja acostamento, existe um espaço grande entre o bordo da pista até muro onde tem construção. Para a PRF ciclista e pedestre consegue andar tranquilamente nesse espaço, no entanto, não é o que os ciclistas que pedalam por lá observam.

Seguimos com mais uma iniciativa de obra executada sem ouvir quem utiliza o espaço e conhece a realidade. É preciso que nós ciclistas nos unamos numa massa crítica e solicitemos a retomada daquele espaço, a segurança e o respeito com o nosso modal, que tanto contribui com a sociedade, promovendo um trânsito mais humano.

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Fotos: Manu Athayde e Netto Dugon
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Fotos: Manu Athayde e Netto Dugon

 

 

Lei da bicicleta será votada hoje na Câmara

18835976_10203248670335295_7533246719126948027_nA Câmara tentará aprovar hoje, à partir de meio dia, o projeto de lei que foi chamado de sistema cicloviário de Belém. O projeto foi colocado em votação às pressas, antecedendo o debate na mesma casa, com os coletivos de cicloativismo da cidade. Vale ressaltar, que os ciclistas vem, desde 2013, lutando para aprovar a lei, apresentada pelo vereador Fernando Carneiro, que atendia minimamente as demandas dos ciclistas locais, e seguia modelos nacionais, construídos conjuntamente com quem vivencia a bicicleta cotidianamente.

Confira as diferenças entre o Projeto de Lei do Vereador Fernando Carneiro em linhas gerais e o que será votado amanhã em caráter extraordinário

1) O projeto não fala em prazos, como o projeto inicial, que dá 180 dias para apresentação de projetos de implementação de ciclovias, bicicletários, paraciclos e integração aos transportes públicos.

2) O projeto da Prefeitura não fala na obrigatoriedade de estabelecimentos comerciais implementarem vagas destinadas às bicicletas, como trata o projeto inicial.

3) A Prefeitura permitirá cobrança de valor de até meia passagem de um ônibus até em estacionamentos públicos pagos, enquanto o projeto inicial estabelece gratuidade.

4) Metas: No projeto de Zenaldo, não há qualquer menção sobre quantidade de ciclovias ou ciclofaixas a serem implementadas. Para que então uma lei que não exige contrapartida? No projeto inicial de Fernando Carneiro, existe um mínimo de 5% das vias urbanas sendo destinadas para a construção de ciclofaixas/ciclovias.

E o mais absurdo e ilógico: A Câmara já havia marcado uma Audiência Pública com ciclistas na quarta-feira 7 de junho. Só que a sessão extraordinária foi marcada antes, na terça 6/junho. A Câmara vai aprovar uma lei feita pela Prefeitura sem antes ouvir os ciclistas.

Outra questão se dá pelo fato de que a Câmara, no mandato passado, foi orientada a não aprovar um projeto de lei – mesmo que importante – vindo de um vereador de oposição, por simples “birra” – a velha política. O Prefeito queria simplesmente ser “o Pai da criança”, como diz-se no jargão. Só que o projeto de lei enviado, tal qual a projeto de lei em ar-condicionados nos transportes seletivos – fresquinhos -, vai ser outro engodo! Uma nova Lei Migué está por vir e vamos apenas assistir?

Essa sessão é para a votação desta lei que não tem contrapartidas. É importante marcar pressão e fazer pressão para que as emendas que serão sugeridas sejam aprovadas, prevendo prazos e metas para a Lei!

Os projetos podem ser lidos aqui:
1) Prefeitura:
https://goo.gl/V4z48w

2) Projeto Lei da Bicicleta – Carneiro:
https://goo.gl/rTP4n1

*Com informações do @BelémTrânsito

Maternidade e bicicleta. Uma combinação perfeita

Sabe aquela história de que maternidade vai te privar de muita coisa, que maternidade e bicicleta não combinam. Esqueça tudo isso! Você vai perceber que tem tudo a ver depois de conhecer a história dessas mães que saem por aí curtindo um vento no rosto com frequência e ainda garantem uma programação divertida aos filhos.

É o que conta a ciclista Eliana Alfaia, que retomou o uso da magrela em 2012, após a infância. “Eu sempre gostei de pedalar desde criança. Lembro que dava voltas no quarteirão, mesmo com advertência de meus pais de não sair da rua de casa, mas o desejo de ir além sempre me perseguiu. Conforme fui crescendo a bicicleta foi se distanciando e parecia que essa relação não teria mais volta, com todas as responsabilidades da vida adulta, trabalho e mãe de dois filhos, Ian, 11 anos e o Iuri, 5 anos”.

Em 2012, Eliana conta que teve um estalo ao participar de uma caminhada ecológica, no Parque do Utinga, em Belém. “Eu vi uma turma passando de bike, fiquei curiosa, conversei com alguns ciclistas e me informaram sobre os grupos que existiam na cidade. Fiquei encantada, porém ainda parecia uma realidade distante para mim, pois acabara de ter meu segundo filho, ele estava com 6 meses de vida. Já era complicado deixá-lo para sair para trabalhar, imagina para ir pedalar”.

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Primeiro pedal com o filho 

Ela lembra que se sentia sedentária. Tinha a ajuda da mãe para cuidar do filho no horário de trabalho. “Foi quando surgiu uma luz. Já que não tinha com que deixar meu filho para ir malhar, resolvi comprar uma bicicleta e uma cadeirinha, e assim eu não me desgrudaria dele, faria uma atividade física e ainda o levaria para passear”. E foi assim que ela entrou para o mundo encantado do transporte ativo em duas rodas. A princípio pedalava somente nos finais de semana no Parque do Utinga, levava as bicicletas dela e do filho mais velho no carro. Eliana diz que foi ganhando confiança em pedalar com eles pela cidade e desde então, não parou mais. “Comecei pedalando pela ciclofaixa da João Paulo II e hoje já pedalamos juntos por Belém, sempre usando as ciclofaixas. Como o Parque do Utinga está fechado, geralmente pedalamos até a Praça da Batista Campos”.

E essa mãe não parou por aí. Depois contagiou o marido, os pais e o irmão. “Todos compraram bicicletas e sempre que possível saímos para fazer trilha no interior do estado. Geralmente levamos as crianças e um de nós não participa da trilha para ficar com elas, que marcam presença na largada e nos ponto de apoio”.

CICLOTURISMO

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Contar com uma rede de apoio para sair da rotina e das obrigações depois da maternidade é fundamental. Eliana afirma ter um grande apoio da família. “Sempre que aquele desejo de ir mais além bate eu posso contar com meus pais para ficar com meus pequenos. O maior tempo que passei longe deles foi 19 dias, pedalando 1.625 km de Belém à Fortaleza, em Janeiro de 2017”, detalha.

MÃE CICLISTA = FILHO ENCANTADO E CHEIO DE ORGULHO

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Ela conta que o filho mais velho fica encantado quando escuta os relatos das aventuras dos pais sobre duas rodas. “O Ian fica estonteante toda vez que conto meus feitos. Pergunta quantos km eu pedalei dessa vez, e depois corre e vai contar para os amiguinhos. A viagem de Belém à Fortaleza os amiguinhos não acreditaram que a mamãe dele havia pedalado mais de mil quilômetros, mas ele fica todo orgulhoso e conta todas as histórias que ouviu da viagem”.

E é claro que filho de ciclista vai querer seguir o exemplo. O Ian afirma que quer ser ciclista, mas ele nem imagina que já está com a paixão pela bike entranhada na alma. “Ele já fez uma trilha de 20 km com o padrasto, o avô  e a avó. Eu e o Iuri fomos no carro só acompanhando. Dia de terça e quinta ele treina 10 km na Av. João Paulo. Acorda 5:45h para treinar com padrasto. Já o Iuri, o mais novo, adora o ventinho da cadeirinha. Com ele pedalamos todos juntos aos sábados”.

Para Eliana a bicicleta trouxe muitas possibilidades, que vão além de deixar o sedentarismo de lado. “A bicicleta mudou minha vida, saí do sedentarismo, faço uma atividade que compartilho com meus filhos, com meu marido, fortaleceu os laços de amizade e me aproximou dos meus pais também. A bicicleta uniu nossa família. E a modalidade do cicloturismo também me proporcionou experiências enriquecedoras. Hoje já não me vejo sem a minha companheira, a bike”.

Assim como Eliana, temos muitas outras mamães que se utilizam do modal para levar a vida numa boa. A ciclista Olga Lima, que tem os filhos Aquiles, 11 anos e Anita, 8 anos, começou a pedalar também em 2012, quando os passeios de bike pela cidade estavam começando a se popularizar. “Senti de verdade vontade de montar uma bicicleta, estavam ficando bem populares os passeios ciclísticos, até que o meu marido montou duas”.

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Na época os filhos da Olga se divertiam quando viam os pais na bicicleta, por entenderem que passear de bike era brincadeira de criança. “Para mim desde a primeira vez que sai pra pedalar como ciclista foi amor à primeira vista. Tive a certeza de que não queria mais parar e a primeira coisa que pensei foi: vou fazer isso todo domingo”.

No começo ela conta que teve um pouco de dificuldade pelo fato de os meninos serem pequenos. “Resolvemos dar o sábado de lazer a eles e no domingo o nosso. Dessa forma conversávamos e foi dando certo, o fato de morar perto da minha sogra ajuda muito, porque assim podemos deixá-los com ela sem preocupação, já que saímos muito cedo no domingo”.

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Para Olga, a bicicleta entrou em sua vida depois da maternidade como uma possibilidade motivacional. “Eu acredito que o maior benefício da bicicleta na minha vida foi a terapia gratuita”.

 

Primeiro pedal Cycle chic percorreu as ruas de Belém neste domingo (12)

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Foto: Carlos Borges / Moiré

Resgatar uma cidade onde era possível se cumprimentar e remontar a sensação de tranquilidade que era circular pelas ruas levou ciclistas a participarem, na manhã de ontem (12), do primeiro pedal Cycle Chic de Belém. O evento foi promovido pelos Let’s Bike Café, dos empresários Robinson Bahia e Rejane Manuela, em parceria com os fotógrafos Carlos Borges e Paula Lourinho, da Moiré Foto e Cine. O evento teve como ponto de encontro o Bike Café e percorreu o centro histórico da cidade.

O Cycle Chic é um termo moderno para uma prática existente desde a invenção das bicicletas, no século 19.  Na cultura cycle chic a bicicleta não é encarada como um objeto apenas para exercício, lazer ou diversão. Está ligado à mobilidade, e envolve a utilização de roupas comuns, do dia-a-dia, possibilitando uma mobilidade elegante. “Já estava dentro da nossa programação fazer esse pedal, porque ele faz parte da cultura da bicicleta, que não só esporte e lazer. É resgatar uma questão cultural mesmo. Especificamente o cycle chic tem intenção não somente nostálgica, mas uma provocação aos que veem ao passeio passar. É mostrar o resgate de uma cidade onde as pessoas se olhavam e as ruas eram para pessoas. Onde podiam dar um aceno. Num tempo onde o dinamismo da cidade não exigia a loucura desenfreada do caos urbano”, explicou Robinson Bahia.

O pedal cycle chic busca humanizar cada vez mais o uso da bicicleta nas cidades, o respeito e o compartilhamento das vias. É mais uma maneira de demonstrar que em cima de duas rodas também existe uma pessoa, que faz o seu trajeto da mesma forma que o motorista dentro de um veículo automotivo.

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Foto: Carlos Borges / Moiré

Texto: Melissa Noguchi

Sobre

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Nossa protagonista é a Bicicleta em notícias no Pará e no mundo sobre os diversos usos: urbano (mobilidade), passeios, trilhas, eventos, competições, etc.

O principal objetivo é disseminar e divulgar cada vez mais a cultura da Bicicleta. A Revista, inicialmente idealizada de forma digital, é formada por quatro profissionais de áreas distintas, mas que vislumbram os mesmos desejos, garantir o espaço da bicicleta nas cidades.

Então vamos aos componentes dessa feliz aventura:

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Melissa Noguchi

É jornalista e especialista em Cidadania e Políticas Públicas. Apaixonada por bike desde 2011, quando foi inserida novamente nesse mundo (após a infância) pelo bike anjo e marido Murilo Rodrigues.

Murilo Rodrigues

Arquiteto, urbanista, licenciado em artes, designer e paisagista. Inciou suas pedaladas em 2009, quando realizou um exposição sobre o tema. Daí pra frente só aprofundou seu engajamento no meio ciclístico.

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Rejane Manuela

É formada em Letras, especialista em educação especial e LIBRAS. Sendo moradora de um bairro que possui o costume de utilizar a bicicleta como o principal meio de transporte, ela não poderia seguir um rumo diferente. Traz arraigado no uso de seu cotidiano a magrela.

Robinson Bahia

É turismólogo e sua vivência com as megalópoles mundiais potencializou a paixão pela cultura da bicicleta.