Nota do Coletivo ParáCiclo à reportagem e ações da Prefeitura sobre a Ciclofaixa da Avenida Pedro Álvares Cabral

Prefeitura de Belém (PMB) anuncia, por meio de sua agência de comunicação, a Ampliação da malha cicloviária do município. A interligação entre a ciclofaixa da Av. Pedro Álvares Cabral e a Doca, é demanda antiga dos coletivos que pautam a ciclomobilidade na cidade, apesar disso, como visto em outras iniciativas, PMB promove ações com pouca consulta ao público interessado, e com pouco ou nenhum estudo técnico que embase as alterações propostas. A necessidade de ampliação das rotas de bicicleta é também uma demanda antiga de ciclistas (Confira aqui publicação sobre o tema), que vem sendo debatido e encaminhado pela gestão com apoio de alguns representantes da sociedade civil (Confira mais aqui). Os coletivos ParáCiclo, Ciclomobilidade Pará e Bike Anjo Belém já entregaram documentação à Prefeitura demandando a ampliação dessas rotas, inclusive indicando as vias mais relevantes, orientando quais seriam os melhores modelos para cada situação. Nas reuniões e mapas entregues pelos coletivos, há indicação de pontos de ampliação, entre os quais a necessidade de conectar as rotas levando ciclistas com segurança até o centro da cidade. Entre as demandas elencadas estavam a ligação entre a Av. Duque de Caxias ao centro da cidade pela Av. Antônio Barreto, bem como o prolongamento da ciclofaixa da Pedro Álvares Cabral, que é o motivo da matéria publicada. Embora o prolongamento seja positivo, este coletivo fez algumas considerações sobre as informações divulgadas na matéria.

 

  • Redução da largura da ciclofaixa:

 

O que a prefeitura diz:

“Para a ampliação, a ciclofaixa será redimensionada, ganhando novo tamanho, extensão e sinalização”. Em realidade o “redimensionamento” nada mais é do que redução da largura, admitida na sequência da reportagem

Um dos pontos alegados pela prefeitura para a redução da largura da ciclofaixa na referida avenida diz respeito à um “baixo fluxo de ciclistas na via”. O Coletivo solicita à prefeitura que divulgue o estudo que comprova o baixo fluxo de ciclistas. Até o momento, pelo que se sabe, não há estudos atuais que permitam corroborar tal afirmação. Inclusive, se utilizarmos a ferramenta do aplicativo Strava (com seus claros limites de abrangência de público) que cria Mapas de Calor, podemos perceber que quanto mais vermelho a via, maior o fluxo de ciclistas. Então, levando em consideração que a maioria dos trabalhadores que se locomovem de bicicleta não utilizam o aplicativo (ou seja, não fazem parte dos números indicados pelo mapa), é plausível admitir que o fluxo seja ainda maior que o apresentado abaixo.

Mapa Calor do Strava(Acessado dia 25 de Junho de 2018, Disponível em https://www.strava.com/heatmap#14.59/-48.48694/-1.42634/bluered/ride)

mapa de calor pac

Além disso, há outros equívocos na matéria publicada nas quais destacamos a seguir:

  • Ciclistas trafegando próximo ao meio fio:

O que a prefeitura diz:

“É importante que as pessoas entendam que estamos trabalhando a melhoria desta ciclofaixa e que, enquanto ela estiver em fase de readequação, os ciclistas devem trafegar como determina o Código de Trânsito Brasileiro, próximo ao meio fio e com os veículos respeitando a distância mínima de 1,5 m”, orienta Marcos Chagas.

O representante da Secretaria de Mobilidade entrevistado na matéria orienta ciclistas a trafegarem próximo ao meio fio, o que é completamente inadequado e inseguro, além de não ser exatamente o que diz o CTB. Lugar de bicicleta é na rua, no sentido dos carros e nas faixas laterais da via (inclusive na esquerda). E com preferência de uso da via. Como podemos ver abaixo, no artigo 58 do CTB:

Art. 58. Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores.

O chamado bordo da pista é a lateral da via, mas sem uma definição clara de até onde é considerado bordo (por isso ocupe a faixa, é mais seguro!).

Vale lembrar que a área próxima ao meio fio em Belém costuma ter buracos, bocas de lobo, lixo, além de ondulações, asfalto quebrado, irregularidades e detritos que podem gerar acidentes ou furar o pneu. Tudo isso já seria suficiente para recomendar distância dessa parte da via, levando em consideração o risco de perder o controle da bicicleta e cair em frente a um carro ou ônibus que esteja passando ao seu lado. Mas o cenário é ainda pior. Pela dinâmica da cidade, ciclistas sabem que se estiverem posicionados muito próximo ao meio-fio, portanto quase fora da via, os motoristas entendem que o acesso ao espaço é suficiente. Passam desrespeitando a regra de manter 1,5m de distância. E se muitos motoristas sequer sabem da existência dessa regra, imagina cumprí-la.

Ciclistas são diariamente oprimidas nas vidas com as chamadas “finas”, quando motoristas passam perigosamente próximos de ciclistas. A distância de 1,5m costuma ser suficiente para que, em caso de queda de quem está na bicicleta, não aconteça um atropelamento. Também é suficiente para que não ocorra um esbarrão no guidão se a pessoa na bicicleta precisar desviar de um buraco. E andando de bicicleta, precisamos desviar de buracos. Não é uma questão de escolha, o buraco pode nos derrubar em meio aos carros.

Com a bicicleta ocupando a faixa, como o veículo que é, fica mais fácil fazer o motorista cumprir o CTB ao trocar de faixa para fazer a ultrapassagem. E mesmo que tente forçar passagem, haverá uma área de fuga à direita de quem está pedalando na via. Mantendo-se rente ao meio-fio, todos os carros, ônibus e caminhões passarão perto demais, não apenas os conduzidos por motoristas agressivos, inaptos para dirigir e sem respeito à vida.

  • Revitalização da ciclovia da Av. Almirante Barroso

A matéria destaca ainda a revitalização da sinalização em toda a Av. Almirante Barroso, realizada antes do início dos trabalhos na Av. Pedro Álvares Cabral. No entanto, destacamos que a pouca sinalização feita, diferente do que aponta o texto, não atendeu o problema mais significativo da via, no trecho onde a Secretaria aponta como “via compartilhada”. A sinalização é precária e o conflito entre ciclistas e pedestres é constante, não houve revitalização da a pintura, sinalização vertical e muito menos o trabalho de conscientização dos usuários.

O problema das grades que segregam a ciclovia da Av. Almirante Barroso, um dos que vêm sendo denunciado há tempo pelos ciclistas e pautado em reuniões com a gestão, não foi solucionado, colocando em risco a vida das pessoas que transitam por lá diariamente.

Diante do exposto, este Coletivo, se posiciona contra a redução da ciclofaixa da Av. Pedro Álvares Cabral para substituir por mais uma via de circulação de veículos, pois tal alteração, vai contra a necessidade de investir na mudança de paradigmas da mobilidade e alterar o modelo de cidade pensadas e pautadas para carros.

Destaque: hoje, em contato informal com representante da SEMOB, o coletivo foi informado que a ciclofaixa cumprirá a a recomendação estabelecida pelo DNIT, e possuirá 2,5m de largura em toda a sua extensão. Iremos acompanhar o andamento da obra.

Plá – o cantor das ruas e das bicicletas

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Impossível pensar o Bicicultura 2018 sem vir a cabeça a trilha sonora do cantor Plá, que embalou os três dias de evento. Ele que estava “em de Curitiba com seu violão na mão, fazendo muito som exautando as bicicletas” e seguiu para o Rio de Janeiro, como confirma na letra da canção Bike Cultura do álbum Biciclopédia 3, seu 48º disco. Isso após uma mobilização dos ciclistas que apoiaram sua campanha de financiamento coletivo para a viagem a qual propiciava a aquisição de seus discos como recompensa.
Ademir Antunes, conhecido como Plá nas ruas de Curitiba e por quem acompanha as atrações anuais dos Biciculturas, nasceu em Campo Belo do Sul-SC e foi para Curitiba em 1976 cursar música na FAP. Suas músicas possuem influência na Folk Music, trazendo letras que tecem críticas ao capitalismo e a sociedade carrocêntrica, com proposições filosóficas libertárias e libertadoras. Obviamente não poderia ficar de fora o que encanta nossos leitores: a bicicleta.
Plá é um ativista que mostra em sua prática a mudança de comportamento necessária para um futuro mais próspero, humano e respeitoso entre as pessoas e o meio ambiente. Como instrumento de propagação de suas ideias ele utiliza suas músicas, que contagiam com essa energia fantástica que ele emana do seu jeitão de profeta das bicicletas.
Quer saber mais sobre ele? É só acessar os links a seguir e curtir este camarada dos pedais!

Tem que ter moral de: Mari Poncio, Chico Pinto e Hudi Correia

Plá por “Gorila Kelso Produções”

Vídeo da música Bike e Cultura, filmado por nossa equipe no Bicicultura 2018